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sábado, 15 de abril de 2017

A parábola dos talentos: a Bíblia, os empreendedores e a moralidade do lucro



















As parábolas de Jesus nos ensinam verdades eternas, mas também oferecem lições práticas inesperadas para as questões mundanas.
No Evangelho de Mateus (Mt 25:14-30), encontramos a parábola dos talentos de Jesus. Como todas as parábolas bíblicas, elas têm muitos níveis de significado. Sua essência se relaciona a como utilizamos o dom da graça de Deus. Com relação ao mundo material, trata-se de uma história sobre capital, investimento, empreendedorismo, e o uso adequado de recursos econômicos escassos. É uma refutação direta àqueles que veem uma contradição entre o sucesso dos negócios e a vivência da vida cristã. 
Um homem rico, prestes a iniciar uma longa viagem, chamou os seus três servos e lhes disse que eles seriam os guardiões de seus bens enquanto estivesse ausente. Após o mestre analisar as habilidades naturais de cada um, ele deu 5 talentos a um servo, 2 a outro, e 1 ao terceiro. Em seguida, partiu para sua viagem.
Os servos não perderam tempo e imediatamente adentraram o mundo do empreendimento e dos investimentos.  Aquele que recebera cinco talentos empreendeu e ganhou outros cinco.  Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas o que havia recebido apenas um fez uma cova no chão e escondeu ali a propriedade do seu mestre.
Depois de muito tempo, o mestre retornou e foi acertar as contas com seus servos. O servo que havia recebido 5 talentos se apresentou. "Meu senhor", ele disse, "o senhor me confiou 5 talentos; veja, aqui estão mais cinco que eu consegui!".
"Muito bem, servo bom e fiel!" o mestre respondeu. "Já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra no gozo do teu senhor!"
Em seguida, o servo que havia recebido 2 talentos se aproximou do mestre. "Meu senhor", disse, "o senhor me confiou 2 talentos; veja, obtive mais dois!" O mestre disse: "Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito, entra no gozo do teu senhor". 
Finalmente, aquele que havia recebido 1 talento se aproximou de seu mestre. "Meu senhor", disse, "eu soube que és um homem severo, ceifas onde não semeaste e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder o teu talento na terra; aqui tens o que é teu!".
A resposta do mestre foi rápida e severa: "Servo mau e preguiçoso! Se sabias que ceifo onde não semeei e que recolho onde não joeirei, devias, então, ter entregado o meu dinheiro aos banqueiros e, ao meu retorno, teria recebido o que é meu com juros".
O mestre ordenou que o talento fosse tomado do servo preguiçoso e dado àquele que tinha dez talentos: "Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos; porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem ser-lhe-á tirado. Lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá o choro e o ranger de dentes!"
Essa não é a história que frequentemente ouvimos nos púlpitos e sermões. Nossos tempos ainda exaltam uma ética socialista na qual o lucro é suspeito, e o empreendedorismo é visto com suspeita e desagrado. Porém, a história apresenta um significado ético facilmente perceptível, e apresenta lições profundas que ajudam a compreender qual é a responsabilidade humana na vida econômica.

Uma análise mais atenta
Nessa parábola, a palavra "talento" possui dois significados. É uma unidade monetária: era a mais utilizada da época. O estudioso bíblico John R. Donovan relata que um único talento era equivalente ao salário de 15 anos de um trabalhador comum. Portanto, sabemos que a quantia dada a cada servo era considerável.



Se interpretarmos de uma forma mais ampla, os talentos se referem a todos os dons que Deus nos deu. Essa definição abarca todos os dons — naturais, espirituais e materiais. Inclui, também, nossas habilidades e recursos naturais — saúde e educação —, bem como nossas posses, dinheiro e oportunidades.
Uma das lições mais simples dessa parábola é que não é imoral lucrar por meio do uso de nossos recursos, inteligência e trabalho. A alternativa ao lucro é o prejuízo; e a perda de riqueza, especialmente por falta de iniciativa, certamente não constitui uma boa e sensata administração.
A parábola existente no Evangelho de São Mateus pressupõe uma compreensão básica da correta administração do dinheiro. De acordo com a lei rabínica, o ato de enterrar o dinheiro era considerado a forma mais segura contra o roubo. Se a uma pessoa fosse confiada uma quantia em dinheiro e ela o enterrasse tão logo estivesse em seu poder, ela estaria livre da culpa se algo acontecesse com ele. O oposto era verdade se o dinheiro fosse enrolado em um pano.  Nesse caso, a pessoa era responsável por cobrir qualquer perda (prejuízo) incorrida devido à má administração do depósito que lhe foi confiado.  
Ainda nessa história, o mestre inverte o entendimento da lei rabínica. Ele considerou enterrar o talento — ficando elas por elas — como um prejuízo, pois ele pensava que o capital deveria receber uma taxa de retorno razoável. De acordo com esse entendimento, tempo é dinheiro (ou juros).
A parábola também contém uma lição crítica sobre como devemos utilizar as habilidades e recursos dados por Deus. No livro de Gênesis, Deus deu a Adão a Terra à qual ele deveria misturar seu trabalho para seu próprio uso. Na parábola, de forma similar, o mestre esperava que seus servos buscassem ganhos materiais. Em vez de preservar passivamente o que lhes tinha sido dado, o mestre esperava que investissem o dinheiro. O mestre ficou furioso diante da timidez do servo que tinha recebido um talento. Deus nos ordena a utilizar nossos talentos para fins produtivos. A parábola enfatiza a necessidade do trabalho e da criatividade, e condena a preguiça.

A busca por segurança
Ao longo da história, as pessoas tentaram construir instituições que assegurassem uma segurança perfeita, como o servo fracassado tentou. Tais esforços variam dos estados de bem-estar greco-romanos, passando pelo totalitarismo soviético em grande escala, até as comunidades luditas da década de 1960.
De tempos em tempos, esses esforços foram adotados como soluções cristãs para inseguranças futuras. Ainda assim, na Parábola dos Talentos, a coragem frente a um futuro incerto é recompensada no primeiro servo, que recebeu mais. Ele havia empreendido os 5 talentos, e ao fazê-lo, obteve mais 5. Teria sido mais seguro para o servo investir o dinheiro no banco para obter juros. Pela fé que demonstrou, foi-lhe permitido manter os 5 iniciais mais os 5 que havia recebido, compartilhando da alegria do mestre. 
Isso implica uma obrigação moral de confrontar a incerteza de maneira empreendedora. E ninguém o faz melhor que o empreendedor. Muito antes de saber se haverá retorno aos seus investimentos ou ideias, ele arrisca seu tempo e sua propriedade. Ele tem de pagar os salários de seus empregados muito antes de saber se o seu empreendimento terá algum retorno.  Ele incorre em gastos muito antes de saber se previu os eventos futuros de forma acurada. Ele vê o futuro com esperança, coragem e um senso de oportunidade. Ao criar novos negócios, ele oferece alternativas para os trabalhadores, que agora podem optar por receber um salário e desenvolver suas habilidades.
Por que, então, os empreendedores são frequentemente punidos como maus servos de Deus? Muitos líderes religiosos falam e agem como se o uso dos talentos e recursos naturais dos empresários em busca do lucro fosse imoral, uma noção que deveria ser descartada à luz da Parábola dos Talentos. O servo preguiçoso poderia ter evitado seu destino sombrio ao ser mais empreendedor. Se houvesse feito um esforço para empreender o dinheiro do seu mestre e retornado com prejuízos, ele não teria sido tratado tão mal, pois ao menos teria trabalhado em nome do seu mestre.

Empreendedorismo e ganância
A religião deve reconhecer o empreendedorismo pelo que ele é — uma vocação. A capacidade de sucesso nos negócios, na bolsa de valores ou em um banco de investimentos é um talento. Como outros dons, não deveriam ser desperdiçados, mas usados em sua plenitude para a glória de Deus. Críticos ligam o capitalismo à ganância, mas a natureza fundamental da vocação empresarial é se concentrar nas necessidades dos consumidores e se esforçar para satisfazê-las. Para ter sucesso, o empreendedor tem de servir aos outros.
A ganância se torna um risco espiritual — que ameaça a todos nós, independentemente de nossa riqueza ou vocação — quando passa a haver um desejo excessivo ou insaciável por ganhos materiais, independentemente de nossa condição financeira. O desejo se torna excessivo quando, nas profundezas do seu ser, ele supera as preocupações morais e espirituais. Mas a parábola deixa claro que a riqueza por si só não é injusta — pois o primeiro servo recebeu mais do que o segundo e o terceiro. E quando o lucro é o objetivo a ser alcançado pelo uso do talento empresarial, isso não configura ganância. É apenas o uso apropriado do dom.
Além de condenar o lucro, os líderes religiosos frequentemente favorecem diversas variedades de igualdade social e redistribuição de renda. Sistema de saúde universal, maiores gastos com políticas assistencialistas, e tributação pesada sobre os ricos são todos promovidos em nome da ética cristã. O objetivo supremo de tais políticas é a igualdade, como se as desigualdades inatas que existem entre as pessoas fossem, de alguma forma, inerentemente injustas.
E não é assim que Jesus se posiciona na Parábola dos Talentos. O mestre confiou talentos a cada um de seus servos de acordo com suas respectivas habilidades e capacidades. Um recebeu 5, enquanto outro recebeu somente 1.  Aquele que recebeu menos não recebe compaixão do mestre pela sua falta de recursos em comparação ao que seus outros colegas receberam. 
Podemos inferir dessa parábola que a igualdade de renda ou a realocação de recursos não é uma questão moral fundamental. Os talentos e matérias-primas que cada um de nós tem não são inerentemente injustos; sempre existirão desigualdades desenfreadas entre as pessoas. Um sistema moral é aquele que reconhece tal fato e permite que cada pessoa utilize seus talentos em sua plenitude. Todos nós temos a responsabilidade de empregar as capacidades e habilidades das quais fomos dotados.
Também podemos aplicar a lição dessa parábola às nossas políticas sociais. No sistema vigente, o salário do trabalhador é tributado para pagar os benefícios daqueles não trabalham. Frequentemente ouvimos que "não existem empregos" para a grande maioria dos pobres. No entanto, sempre existe trabalho a ser feito.  A necessidade de trabalho é, por definição, infinita. Um homem com duas mãos saudáveis pode encontrar trabalho que pague $1 por hora. Ele decide trabalhar ou não, e o governo decide se ele pode ou não aceitar tal valor. Nosso sistema de bem-estar desencoraja o trabalho. Ele cria um incentivo perverso para se recorrer ao assistencialismo ao menos que exista um trabalho que pagará pelo menos o mesmo que o seguro-desemprego.
Deus ordena que todas as pessoas utilizem seus talentos; todavia, em nome da caridade, nosso sistema assistencialista encoraja as pessoas a deixarem que suas habilidades naturais atrofiem, ou que nem mesmo as venham a descobrir. 
Dessa maneira, estimula-se o pecado. A Parábola dos Talentos implica que a inatividade — ou o desperdício de talento empreendedorial — incita a ira de Deus. Afinal, o servente mais baixo não havia desperdiçado o talento; ele simplesmente o havia enterrado: algo que era permissível (aceitável) pela lei rabínica. A rapidez da reação do mestre surpreende. Ele o chama de "mau e preguiçoso" e o expulsa para sempre de sua convivência.
Aparentemente, não é somente a preguiça do servo que motiva tanta ira. Ele não mostrou nenhum arrependimento, e ainda culpou seu mestre pela sua timidez (incompetência). Sua desculpa para não investir o dinheiro é que ele considerava o seu mestre duro e exigente, embora a ele houvessem sido confiados recursos generosos.  Por medo do fracasso, ele se recusou até mesmo a tentar ter sucesso.
Essa parábola também nos ensina algo sobre macroeconomia. O mestre seguiu viagem deixando o total de 8 talentos; ao retornar, os 8 haviam se transformado em 15. A parábola não é a história de um jogo de soma zero. O ganho de uma pessoa não ocorre à custa de outrem. O empreendimento exitoso do primeiro serve não prejudica as possibilidades do terceiro servo. O mesmo se aplica à economia atual. Ao contrário do que é normalmente pregado do púlpito, o sucesso dos ricos não vêm à custa dos pobres.
Se por se tornar rico o servo mais bem sucedido tivesse prejudicado a outrem, o mestre não o teria elogiado. O uso sábio dos recursos em investimentos ou em poupança a juros não somente é correto do ponto de vista individual, como também ajuda as outras pessoas. Como John Kennedy disse certa vez, uma onda que sobe levanta todos os barcos. Da mesma forma, a riqueza do mundo desenvolvido não ocorre nas costas das nações em desenvolvimento. A Parábola dos Talentos implica uma sociedade livre e aberta.
Cristãos de esquerda normalmente recorrem às palavras de Jesus: "Como é difícil entrar no Reino de Deus. É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus". Seus discípulos foram tomados de surpresa, e se perguntaram: quem poderia ser salvo, então? Jesus acalmou seus medos: "para um homem é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis".
Isso não significa que nosso sucesso material nos afastará do paraíso; implica, isso sim, a necessidade de levarmos uma vida moralmente, a qual deve estar acima de qualquer preocupação com bens materiais. Nossa preocupação para com Deus deve ser a mesma que os servos tiveram com relação aos interesses do seu mestre enquanto buscavam o lucro. Permanece verdade que, não obstante todas as nossas posses e feitos terrenos, dependemos completamente de Deus para alcançarmos a salvação.
No entanto, para a condução da economia, dependemos fortemente do empreendedorismo, do investimento, da tomada de risco e da expansão da riqueza e da prosperidade.  Deveríamos ser mais críticos quanto à maneira como nossa cultura trata o empreendedorismo. As revistas de negócios estão repletas de histórias de sucesso. O herói é frequentemente o empreendedor corajoso, visionário e alegre, que se assemelha ao servo capaz que recebeu 5 talentos. Contudo, ao mesmo tempo, a fé religiosa popular continua a louvar e promover o comportamento endêmico do servo preguiçoso que foi expulso do convívio do mestre.

O cristianismo é frequentemente culpado pelo fracasso dos projetos socialistas ao redor do mundo. E, em muitos casos, cristãos desinformados participaram da construção desses tipos de projetos. A lição da Parábola dos Talentos precisa ser mais bem entendida. O sonho socialista é imoral. Ele simplesmente institucionaliza o comportamento condenável do servo preguiçoso. Onde Deus recomenda a ação criativa, o socialismo encoraja a preguiça. Onde Ele demanda fé e esperança no futuro, o socialismo promete uma falsa forma de segurança. Ao passo que a Parábola dos Talentos sugere a superioridade moral da livre iniciativa, do investimento e do lucro, o socialismo a nega.
Todas as pessoas de fé deveriam trabalhar tenazmente para acabar com a divergência entre religião e economia. Essa parábola de Jesus é um bom ponto para se começar a incorporar a moralidade do livre mercado e da livre iniciativa à ética cristã.

FONTE: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2046

segunda-feira, 27 de março de 2017


segunda-feira, 13 de março de 2017

As Instituições Divinas

Thomas Ice
À medida que vemos o declínio dos remanescentes da cultura baseada na fé cristã nos Estados Unidos e em todo o mundo, precisamos ser relembrados dos padrões e do propósito de Deus para a humanidade. A vontade de Deus para a humanidade foi revelada no primeiro livro da Bíblia – Gênesis. Cerca de 40 anos atrás, assisti a uma apresentação de um resumo da vontade de Deus para a raça humana, intitulada “As Instituições Divinas”, de autoria do pastor Charles Cough,[1] da Igreja Bíblica Lubbock nos anos 1970. Essa informação bíblica deu-me uma visão dessas questões que tem sido de grande ajuda para mim até ao dia de hoje.

Instituições Divinas

As instituições divinas funcionam dentro das alianças bíblicas que se relacionam à vida social dos seres humanos. De acordo com Clough:
As instituições divinas são estruturas reais absolutas construídas dentro da existência social do homem.[2]
O termo “instituição divina” foi usado durante séculos pelos cristãos, particularmente nos círculos reformados, para descrever as formas sociais básicas fixas.[3]
As instituições divinas foram criadas por Deus, por isso são chamadas divinas, mas se aplicam a toda a humanidade, desde o tempo de Adão e Eva. As estruturas sociais básicas do homem não evoluíram simplesmente com o tempo, mas foram parte do ato de criação de Deus.

Instituições Divinas Anteriores à Queda

A primeira instituição divina é o domínio responsável (Gn 1.26-30; Gn 2.15-17; Sl 8.3-8). É a esfera na qual um indivíduo é responsável diante de Deus pelas escolhas que faz. O homem foi criado para ser o vice-regente de Deus sobre o planeta Terra, a fim de governá-lo sob a autoridade do Senhor. A queda resultou em uma perversão da responsabilidade do homem, mas Deus nunca isentou-o de tal responsabilidade.[4] Isto significa que cada ser humano, individualmente, é responsável diante do Senhor pelo trabalho criativo projetado para glorificá-lO. Deus o projetou para que, através das escolhas individuais, possamos demonstrar na história um registro de obediência ao Senhor, ou de rebelião contra o Criador. Depois da Queda, observa Clough:
Em vez de um domínio piedoso e pacífico sobre toda a terra debaixo da autoridade de Deus e de Sua Palavra, o homem luta e abre seu caminho a um domínio falso feito por meio de suas próprias obras (cf. Tg 4.1-4).[5]
A escolha individual é vista como a área em que a pessoa ou confia em Cristo como seu Salvador, ou O rejeita. Ninguém pode fazer tal escolha em lugar de outro indivíduo.
A segunda instituição divina é o casamento (Gn 2.18-24). Esta instituição tem sua origem no matrimônio entre Adão e Eva, em Gênesis 2. É nesse âmbito que o relacionamento sexual deve ser experimentado e, juntos, marido e mulher devem cumprir com o mandado cultural de dominar sobre a criação. Vemos que a mulher é chamada “ajudadora”, e foi trazida por Deus para Adão, pois este precisava de uma ajudadora que correspondesse com ele a fim de auxiliá-lo em seu chamado para dominar a natureza.
Diferentemente dos animais, a chamada diferenciação sexual da humanidade não existe meramente para a procriação; é também para o domínio.[6]
Mais tarde, a extrema importância da estrutura do casamento aparece no Novo Testamento, quando Paulo revela que o casamento tipifica a união entre Cristo e a Igreja (Ef 5.22-23).[7]
Clough faz o seguinte comentário bastante útil:
A humanidade não consegue expressar a imagem de Deus a não ser como ambos, “homem e mulher”, juntos (Gn 1.27). [...] Além disso, o papel da mulher como “ajudadora”, em Gênesis 2.18, não tem a intenção de ser menor em importância, nem secundário. O termo usado para “ajudadora” em outras partes é atribuído ao próprio Deus (Êx 18.4; Dt 33.7). Todavia, é inegável que a Bíblia coloca ênfase sobre o homem como aquele que recebe seu chamado de Deus, e que depois dá forma à sua escolha de esposa. (...) Juntos na divisão do trabalho, o homem e a mulher se separam de suas próprias famílias, em contraste com uma família extensa, sendo que o jovem marido tem que tomar completa responsabilidade de liderança diretamente sob as ordens de Deus.[8]
A terceira instituição divina, edificada sobre as duas primeiras, é a instituição da família.
Na Bíblia, é a família, não o indivíduo, que é a unidade básica da sociedade. (As propriedades, por exemplo, são atribuídas às famílias na Lei Mosaica).[9]
A família existe para o treinamento da geração seguinte (cf. Êx 20.12; Dt 6.4-9; Ef 6.1-4).[10]
A família é a instituição responsável pela continuidade de cada legado familiar por ser responsável pela educação e pelos bens. Mesmo que uma família escolha usar professores substitutos, a família é responsável por certificar-se que a criança seja adequadamente educada. Clough nos diz:
A família e o casamento não podem ficar separados do domínio. Onde o domínio é pervertido e o ambiente é arruinado, a fome e a pobreza seguem como resultado. Onde o casamento é desonrado e onde as famílias estão degradadas, a sociedade fracassa. Não há quantidades de leis, programas ou “redefinições” de casamento e de família que possam salvá-los. Deus projetou as instituições divinas para proporcionarem domínio e prosperidade.[11]
monumento
A família é a instituição responsável pela continuidade de cada legado familiar por ser responsável pela educação e pelos bens. Mesmo que uma família escolha usar professores substitutos, a família é responsável por certificar-se que a criança seja adequadamente educada.
A Queda não alterou nenhuma das instituições divinas; pelo contrário, ela corrompe o homem que as usa de maneira incorreta. Clough explica:
Quando o homem decaído se defronta com a corrupção em cada uma dessas estruturas sociais, ele responde de várias maneiras. Uma maneira é reinterpretar as lutas contra o pecado em termos de economia (a “luta de classes” de Marx) ou de raça (os racistas brancos e negros) ou de psicologia (Freud e outros). Uma outra evasiva é abandonar as próprias instituições, classificando-as como “convenções” sociais obsoletas e arbitrárias, que precisam de uma reengenharia. Todas essas respostas, contudo, são fracassos que custam caro para as sociedades que as experimentam. No fim, elas refletem a mentalidade pagã, que nega a responsabilidade da queda e a anormalidade do mal.[12]

Instituições Divinas Posteriores à Queda

Pelo menos mais duas instituições divinas foram estabelecidas depois que o homem caiu em pecado. Ambas foram estabelecidas depois do Dilúvio e foram projetadas para restringir o mal em um mundo decaído. As três primeiras instituições divinas são positivas, ou produtivas, da sociedade, enquanto que as duas últimas são negativas e projetadas para restringir o mal em um mundo decaído.
A quarta instituição divina é o governo civil, por meio do qual Deus transferiu ao homem, através da Aliança Noaica, a responsabilidade de exercer autoridade no reino, ajudando a restringir a maldade depois do Dilúvio (Gn 9.5-6). Antes do Dilúvio, o homem não poderia executar juízo sobre o mal, como pode ser visto na maneira que Deus ordenou aos homens que tratassem do assassinato de Abel por Caim (Gn 4.9-15). Esta instituição divina se baseia na punição capital (Gn 9.5-6) e existe para o propósito de restringir o mal (Rm 13.3-4). A autoridade judicial está implícita na ordem dada por Deus para as instituições civis exigirem vida por vida. Embora a pena capital tenha se tornado desagradável à cultura ocidental apóstata, ela ainda é a base para o estabelecimento do governo civil por Deus.[13]
A quinta instituição divina é a diversidade tribal, ou o nacionalismo, que também foi estabelecido depois do Dilúvio a fim de promover a estabilidade social em um mundo decaído (veja Gn 9.25-27 e compare com Gn 10-11 e Dt 32.8). Verifique que isto não é diversidade racial, mas sim diversidade tribal. Essa instituição divina não envolve raças, mas tribos, ou famílias. Clough explica:
Durante todo o período pós-diluviano, Deus preservou a estabilidade e a saúde social do homem ao fazer um grupo ou tribo disputar contra outro a fim de maximizar o verdadeiro progresso e retardar a influência do mal (cf. At 17.26-27).[14]
A diversidade tribal foi implementada através da confusão das línguas na Torre de Babel (Gn 11.1-9). Por que Deus quis separar a humanidade? Muitos crêem que a humanidade deveria ficar junta em unidade. Gênesis 11.6 explica o motivo pelo qual Deus confundiu a linguagem humana: “E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer”. Desta forma, a única razão pela qual a humanidade quer se unir é para se rebelar mais eficientemente contra Deus, como foi visto no incidente da Torre de Babel. É por isso que a história atual está se movendo em direção ao globalismo, à medida que nos movemos para mais longe de Deus, e é por isso também que o objetivo do Anticristo na Tribulação é maquinar a criação de um governo único estabelecido contra o plano e os propósitos de Deus. A Tribulação terminará com a intervenção direta de Deus e o juízo, assim como foi no Dilúvio. Nesse ínterim, Deus diminui a rebelião coletiva do homem através do governo civil e da diversidade tribal.
O propósito da diversidade tribal pode ser ilustrado pelas diferenças entre os cascos dos grandes navios. Até cerca de 120 anos atrás, todas as grandes embarcações que navegavam no mar tinham um único e grande casco. Se houvesse um buraco suficientemente grande no casco, o navio geralmente afundaria, uma vez que toda a embarcação se encheria de água. Então, os fabricantes de navios começaram a construir compartimentos múltiplos nos cascos das grandes embarcações, considerando que, se aparecer um buraco em um compartimento, os outros compartimentos poderiam manter o navio flutuando. Assim também acontece com a humanidade. Se uma tribo se corrompesse, Deus não teria que julgar o mundo inteiro. Ele poderia usar outros povos para julgar aquela tribo, sem necessidade de um julgamento de proporções mundiais. Esta é uma das maneiras com que Deus conduz as nações entre o Dilúvio e a Sua Segunda Vinda.

Conclusão

A partir desta abordagem bíblica ao governo e à sociedade vemos que ela é, primeiramente, consistente com os princípios teológicos do Dispensacionalismo. Assim, as responsabilidades sociais e políticas da pessoa são individuais, exceto no caso do cuidado com as viúvas, que é feito pela igreja (1Tm 5). Essas responsabilidades foram dadas através de instituições divinas a toda a humanidade, na Criação ou depois do Dilúvio. Esse entendimento produz uma visão de governo conservadora e vê a responsabilidade individual, o casamento e a família como os setores produtivos de uma sociedade. Como a responsabilidade principal do governo civil é restringir o mal para que as instituições anteriores à Queda possam ser produtivas, a Bíblia não dá apoio a nenhuma forma de planejamento ou interferência governamental nas instituições produtivas. Durante a atual era da Igreja, um crente, como indivíduo, deveria funcionar socialmente dentro da estrutura das instituições divinas, levando em conta as ordens a ele dadas como membro da Igreja, o Corpo de Cristo. Maranata! (Thomas Ice — Pre-Trib Perspectives)

Notas:

  1. Se você estiver interessado em ouvir a série de áudios de Charles Clough sobre “The Biblical Framework” [A Estrutura Bíblica] (em inglês), ela pode ser baixada em www.bibleframework.com. Clough ministra sobre as Instituições Divinas no início de sua série sobre a Estrutura.
  2. Charles A. Clough, Laying The Foundation [Colocando o Fundamento], revisado (Lubbock: Lubbock Bible Church, 1977), p. 36.
  3. Clough, Laying, p. 36, f.n. 36.
  4. Charles A. Clough, A Biblical Framework for Worship and Obedience in an Age of Global Deception, Part II [Uma Estrutura Bíblica para Adoração e Obediência em uma Época de Engano Global, Parte II], p.39. Extraído do seguinte endereço da internet: www.cclough.com/notes.php.
  5. Clough, Biblical Framework, p. 60.
  6. Clough, Biblical Framework, p. 40.
  7. Clough, Laying, p. 37.
  8. Clough, Biblical Framework, p. 40.
  9. Clough, Biblical Framework, p. 41.
  10. Clough, Laying, p. 37.
  11. Clough, Biblical Framework, p. 41.
  12. Clough, Biblical Framework, p. 61.
  13. Ver Clough, Laying, p. 83 and Biblical Framework, pp. 97–98.
  14. Clough, Laying, p. 84.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Pesquisas censuradas: inteligência não é permitida

 

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Aqui você não tem espaço
Qualquer semelhança não é mera coincidência! Em nossa sociedade, a liberdade de expressão é tolerada, mas não no que diz respeito à questão das origens. O documentário “Expelled: No Intelligence Allowed”, que serve de inspiração para o título deste artigo, é um dos mais polêmicos já produzidos. Ele ficou em 12º lugar em uma lista de documentários mais assistidos dos EUA, desde 1982. A produção não é do gênero religioso e, sim, do gênero científico, e aborda a questão da “liberdade de expressão” no meio acadêmico para os cientistas renomados que perdem suas cadeiras após falarem contra o neodarwinismo e suas implicações filosóficas. Uma das críticas principais aos movimentos criacionista e do design inteligente – o qual a partir de agora chamarei de “TDIsta” – é que são poucos os trabalhos de pesquisa que apoiam diretamente ambas as posições em revistas científicas avaliadas por pares. O que não é levado em consideração pelos críticos é o fato de ser ainda um grande desafio a publicação de artigos com opiniões discordantes do consenso evolutivo. A partir do momento em que um cientista desafia uma crença profundamente defendida, como no caso do naturalismo filosófico, ele enfrenta grande dificuldade em obter financiamento para seus projetos de pesquisa, depositar seus trabalhos em repositórios científicos e, principalmente, em publicar seus resultados em anais de congressos ou em periódicos de alto fator de impacto.
 
No verão de 1985, o físico criacionista Dr. Russell Humphreys, membro do conselho da Creation Research Society, escreveu para a revista Science apontando que artigos abertamente criacionistas são reprimidos pela maioria dos periódicos. Ele perguntou se a Science tinha “uma política oculta de suprimir cartas criacionistas”.[1] Christine Gilbert, o então editor de cartas, respondeu e admitiu: “É verdade que não é provável que publiquemos cartas de apoio ao criacionismo.” Essa admissão é particularmente significativa, uma vez que a política oficial de cartas da Science é que ela representa “a variedade de opiniões”. No entanto, de todas as opiniões que recebe, a Science não publica as criacionistas.
 
Em 2001, o físico criacionista Dr. Robert Gentry enviou dez artigos para Los Alamos National Laboratory E-Print arXiv (um repositório científico para preprints eletrônicos de artigos científicos nos campos da matemática, física, etc.), e automaticamente eles receberam o número arXiv impresso na primeira página de cada artigo.[2] Cada um desses dez artigos colocaria em xeque a cosmologia do Big Bang e forneceria, de acordo com o autor, evidências para o registro de Gênesis da criação.[2] No entanto, os funcionários do arXiv, temendo os resultados dos artigos que suportam o registro da criação em Gênesis e a reviravolta da cosmologia do Big Bang, apagaram esses artigos antes de serem divulgados ao mundo. Essa é a censura científica no mais alto nível. A notícia foi reportada em algumas edições da revista Nature.[4, 5] Os dez artigos, além de detalhes sobre a censura em curso pela Universidade de Cornell, podem ser acessados em www.orionfdn.org.


Em 2004, a mídia reportou um caso polêmico relacionado à publicação de um artigo que apoiava o design inteligente em uma revista científica, bem como as perguntas subsequentes se os procedimentos editoriais adequados foram seguidos e se ele foi devidamente revisado. O filósofo da ciência Dr. Stephen C. Meyer, diretor do Instituto Discovery (EUA), havia publicado um artigo intitulado “The origin of biological information and the higher taxonomic categories”, na Proceedings, revista de biologia do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsoniano, em Washington.[6] Um mês depois, o conselho do periódico de Biologia emitiu uma nota em que criticou o artigo, dizendo que ele não atendia aos padrões científicos do processo, e enfatizou que a decisão de publicá-lo foi do ex-editor Richard Sternberg (saiba mais no documentário “Expelled”, citado acima). O detalhe é que esse artigo causou polêmica por afirmar que a explosão cambriana não poderia ser explicada por processos naturais, isto é, nenhuma teoria materialista atual seria suficiente para explicar a origem da informação necessária para construir novas formas de vida presentes na explosão cambriana do registro fóssil. O artigo foi além: propôs o design inteligente como uma alternativa para a explicação da origem da informação biológica e para a taxonomia superior. O artigo que antes havia sido aceito, publicado e indexado em importantes bases de dados, acabou sendo removido.
 
Em 2008, dois autores, Mohamad Warda e Jin Han, submeteram um manuscrito para avaliação na revista Proteomics.[7] O artigo potencial apresentado por Warda e Han foi um estudo de revisão sobre as mitocôndrias. Como muitas outras revistas, Proteomicslibera documentos online antes da publicação oficial. No início de fevereiro de 2008, evolucionistas descobriram que Warda e Han eram criacionistas, e alegaram que sua revisão foi uma tentativa furtiva de fixar suas afirmações criacionistas na literatura científica. O manuscrito intitulado “Mitochondria, the missing link between body and soul: Proteomic prospective evidence” chamou a atenção devido a quatro pontos: o título, o resumo, a argumentação e a conclusão. Os autores fazem a seguinte declaração:
 
“Alternativamente, em vez de afundar em um pântano de debates intermináveis sobre a evolução das mitocôndrias, é melhor chegar a uma suposição unificada. [...] Mais logicamente, os pontos que mostram sobreposição proteômica entre diferentes formas de vida são mais susceptíveis de ser interpretados como um reflexo de uma única impressão digital comum iniciada por um poderoso criador do que confiar em uma única célula que é, de forma duvidosa, surpreendentemente originadora de todos os outros tipos de vida.”

 
Na conclusão do manuscrito também havia a seguinte sentença: “Ainda precisamos saber o segredo por trás dessa disciplinada sabedoria organizada.” Assim, graças à “união” da comunidade evolucionista, esses detalhes foram questionados, e somada a isso a alegação de plágio. O artigo foi, então, removido do site da revista, que agora diz que a retração é “devido a uma sobreposição substancial do conteúdo deste artigo com artigos publicados anteriormente em outras revistas”. Porém, no ano seguinte, o artigo continuava a ser o quarto mais acessado da revista. Em um e-mail citado por James Randerson, jornalista do The Guardian, Warda negou a acusação de plágio e disse: “Nós reafirmamos nossos resultados de que [as evidências mostram] que a mitocôndria não evoluiu a partir de outros procariotas. Eles querem nos destruir porque dizemos a verdade; somente a verdade.”[8]
 
Em 2011, outro artigo científico foi revisado, aceito e publicado. Porém, pouco tempo depois, foi removido devido a contrariar a perspectiva naturalista da origem da vida. Para que a vida tivesse evoluído a partir de matéria inorgânica, na visão naturalista, os átomos e as moléculas teriam que se mover de um estado de organização inferior para um estado de organização superior, além de se auto-organizarem de forma a gerar maiores estruturas precisas e complexas. Mas a Segunda Lei da Termodinâmica (SLT), generalizada para a informação, demonstra que, sem um agente inteligente a controlar e a influenciar o processo, as moléculas caminham sempre para um estado de menor organização informacional. Portanto, o artigo técnico em questão sugeriu que a perspectiva naturalista para a origem da vida está em oposição à SLT.
 
No artigo intitulado “Um segundo olhar à Segunda Lei”, o professor Granville Sewell, da Universidade de Texas, mostrou que a hipótese que defende a capacidade da natureza de gerar as complexas estruturas do DNA é tão improvável quanto a natureza construir um computador.[9] Qualquer um dos eventos violaria a SLT. Depois de o artigo ter sido aceito para publicação na revista Applied Mathematics Letters, um militante evolucionista escreveu uma carta aos editores avisando-os de que a “reputação” da revista seria “manchada” se eles publicassem o artigo. Devido a isso, os editores o retiraram. Como o artigo de Sewell não continha erros ou problemas técnicos, os editores da revista endereçaram-lhe um pedido de desculpas e concederam-lhe permissão para colocar versão pré-publicada do seu artigo na página web da universidade (clique aqui para saber mais).
 
Em 2012, uma equipe de pesquisadores criacionistas fez uma apresentação em um encontro anual de Geofísica do Pacífico Ocidental, em Cingapura, na qual mostrou resultados de datação de carbono 14 (C-14) de múltiplas amostras de ossos a partir de oito espécimes de dinossauros (veja aqui). Todos deram positivos para C-14, com idades variando de 22.000 a 39.000 anos de radiocarbono. Esse foi um evento conjunto da União Americana de Geofísica (AGU) e da Sociedade de Geociências da Oceania Asiática (AOGS).[10] Os pesquisadores abordaram o assunto com profissionalismo considerável, inclusive tomando medidas para eliminar a possibilidade de contaminação com carbono moderno como uma fonte de sinal de C-14 nos ossos. O trabalho foi apresentado oralmente pelo Dr. Thomas Seiler, um físico alemão cujo PhD é da Universidade Técnica de Munique (clique aqui para assistir ao vídeo).
 
O trabalho também foi publicado na forma de resumo, no entanto, pouco tempo depois, esse resumo foi retirado do site da conferência por dois presidentes, porque eles não podiam aceitar as conclusões. Recusando-se a desafiar os dados abertamente, eles apagaram o resumo da vista do público, sem comunicar os autores ou membros oficiais da AOGS, mesmo após uma investigação. É possível ainda acessar online a captura de tela feita do programa original (confira aqui). Mas, indo para o site oficial da conferência, pode-se ver que a conversa foi claramente removida. Parece que mais uma vez a verdade apresentada foi pesada demais para a suposta abertura da ciência aos dados.

 
Em 2014, um cientista microscopista da Universidade Estadual da Califórnia (UEC), em Northridge, foi demitido de seu emprego depois de descobrir tecidos moles em um fóssil de Tricerátops e publicar seus resultados na revista Acta Histochemica.[11] Seus advogados entraram com uma ação judicial contra a universidade (veja mais aqui). O chifre de tricerátops foi escavado em Hell Creek, no estado de Montana, e o pesquisador criacionista Mark Armitage o examinou com um potente microscópio na UEC. Armitage ficou “fascinado” por encontrar tecidos moles na amostra – uma descoberta que espantou tanto os membros do departamento de biologia da escola quanto alguns estudantes, “porque indicaria que os dinossauros teriam vivido na Terra há apenas milhares de anos, ao invés de terem sido extintos há 65 milhões de anos”, como se crê. Embora os achados de Armitage tenham sido publicados em uma revista científica, a universidade decidiu dispensá-lo, afirmando que o que ele havia achado era inaceitável. Felizmente, no fim das contas, Armitage obteve a vitória judicial (confira).
 
Em 2016, a revista científica PLoS ONE publicou um artigo sobre as características biomecânicas de coordenação da mão humana.[12] O texto incluiu a afirmação de que a característica biomecânica da arquitetura evidencia “projeto/design adequado pelo Criador”, o que foi motivo de desespero (clique aqui para saber mais). A polêmica levantou protestos por parte da comunidade evolucionista e levou os responsáveis pela revista a pedir desculpas pela publicação do artigo e a exigirem uma retratação dos autores do estudo.[13] Conforme indaga o jornalista Michelson Borges, “tanta celeuma por causa disso? O artigo deixou de ser menos científico por apontar para a ideia de designinteligente? Ou se trata de puro preconceito mesmo? Preconceito de uma academia e de uma comunidade (científica) dominada pelo naturalismo ideológico que não suporta ver Deus colocando o pé na porta, tentando voltar ao cenário de onde vem sendo expulso há algum tempo”.
 
Durante algum tempo, eu [autor deste artigo] também tentei submeter a algumas revistas científicas na área de Biologia um manuscrito que havia elaborado no ano de 2015. Todas as respostas que recebi foram semelhantes a esta (abaixo) por parte dos editores de periódicos:
 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi6AvAzOdw2f8YxPVnMmhp6q__e9G0AkufsgW4_Ut-6Re3KRyJ0RnOoiJHpWANuaTqtDKicW4k6DqaOm9CPCK-x0YnG9wQEjIearZoyylibmscO3yDZRr014ogm8QB5QmSR_6XKMrne1v6_/s400/Parecer-negativo-2.png
 
Conforme afirma o blog Darwinismo, “é desta forma que a teoria da evolução se mantém como a ‘melhor explicação para a origem das espécies’: [através da negativa], da censura, [da remoção], da intimidação e/ou da demissão de quem encontra dados que não se ajustam à ‘verdade estabelecida’”.
 
No entanto, apesar de os pesquisadores criacionistas e TDIstas terem sido injustamente excluídos da literatura científica por muitos anos, acredito que as expectativas futuras são positivas, em grande parte, também, devido à observação da atual abertura científica ao diálogo, debate e crítica.
 
A propósito, alguns artigos com conceitos criacionistas têm passado pela revisão por pares em revistas científicas seculares com as seguintes afirmações:
 
1. “A luz é extremamente importante para o ser humano, tal como afirma a descrição bíblica em Gênesis 1 de que o primeiro ato criativo de Deus foi para gerar luz.”[14]
 
2. Em relação às dimensões da arca de Noé, “a arca seria de flutuabilidade suficiente para suportar” todos os animais citados na Bíblia.[15]
 
3. “A água é uma dádiva de Deus.”[16]
 
Inclusive, em 2015, o periódico científico Clinical and Biomedical Research aceitou uma carta de minha autoria, concedendo-me a oportunidade de apresentar à comunidade científica um tema de relevância tal como o avanço das pesquisas em design inteligente.[17]
 
Diante disso, sinceramente espero que cada vez mais os editores de periódicos científicos tradicionais mantenham a mente aberta para uma análise justa e imparcial. Assim, os méritos científicos, tanto do criacionismo quanto do design inteligente, dependerão, exclusivamente, de seus conteúdos.
 
(Everton F. Alves, NUMAR-SCB)
 
Referências:
[1] Buckna D. Do Creationists Publish in Notable Refereed Journals? Creation.com, 1997. Disponível em: http://creation.com/do-creationists-publish-in-notable-refereed-journals
[2] Gentry RV. Session M's Speakers Promote Evolution and Deny Creation Without Reference to My Widely Published Evidence of Earth's Rapid Creation and Without Reference to My Recent Discoveries Disproving the Big Bang: Congress Should Investigate Why They Did This. In: 2006 APS March Meeting - American Physical Society Meeting, March 15, 2006, Session Q1, Poster Session III, Baltimore Convention Center — Exhibit Hall. (Abstract ID: BAPS.2006.MAR.Q1.325). Disponível em: http://meetings.aps.org/Meeting/MAR06/Session/Q1.325
[3] Gentry RV. Collapse of Big Bang Cosmology and the Emergence of the New Cosmic Center Model of the Universe. Perspectives on Science and Christian Faith 2004; 56(4):266-76.
[4] Brumfiel G. Ousted creationist sues over website. Nature. 2002; 420(597): doi:10.1038/420597b.
[5] Rejected physicists instigate anti-arXiv site. Nature. 2004; 432:428-29.
[6] Meyer SC. The origin of biological information and the higher taxonomic categories. Proceedings of The Biological Society of Washington 2004; 117(2):213-239. Disponível em: http://www.discovery.org/a/2177
[7] Warda M, Han J. Mitochondria, the missing link between body and soul: Proteomic prospective evidence. Proteomics. 2008; 8(3):1-23.
[8] Randerson J. How was this paper ever published? The Guardian (13/02/2008). Disponível em: https://www.theguardian.com/science/blog/2008/feb/13/thankstocjv5040forputting
[9] Sewell G. A second look at the second law. Applied Mathematics Letters. 2011; Article in press. Disponível em: http://www.math.utep.edu/Faculty/sewell/AML_3497.pdf
[10] Miller H, Owen H, Bennett R, De Pontcharra J, Giertych M, Taylor J, Van Oosterwych MC, Kline O, Wilder D, Dunkel B. “A comparison of δ13C&pMC Values for Ten Cretaceous-jurassic Dinosaur Bones from Texas to Alaska, USA, China and Europe.” In: AOGS 9th Annual General Meeting. 13 to 17 Aug 2012, Singapore. Disponível em: http://newgeology.us/presentation48.html
[11] Armitage MH, Anderson KL. “Soft sheets of fibrillar bone from a fossil of the supraorbital horn of the dinosaur Triceratops horridus”. Acta Histochem. 2013; 115(6):603-8.
[12] Liu M-J, et al. Biomechanical Characteristics of Hand Coordination in Grasping Activities of Daily Living. PLoS One. 2016; 11(1):e0146193.
[13] Cressey D. Paper that says human hand was ‘designed by Creator’ sparks concern. Nature. Posted on nature.com March 3, 2016, accessed July 12, 2016. Disponível em: http://www.nature.com/news/paper-that-says-human-hand-was-designed-by-creator-sparks-concern-1.19499
[14] Hong Y, et al. Aggregation-induced emission. Chemical Society Reviews. 2011; 40(11):5361-5388.
[15] Youle O, et al. The animals float two by two, hurrah! Physics Special Topics. 2013; 12(1):1-2.
[16] Kabeel AE, et al. Solar still with condenser: a detailed review. Renewable and Sustainable Energy Reviews 2016; 59:839–57.
[17] Alves EF. Teoria do Design Inteligente. Clin Biomed Res. 2015;35(4):250-251.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017